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terça-feira, 19 de maio de 2020

3ºA, 3ºB e 3ºC - FILOSOFIA - Professora Jussara

ATIVIDADES DE 18 A 22 DE MAIO


Olá estudantes! Tudo bem com vocês?


Estamos nos aproximando do final do nosso primeiro bimestre de uma maneira bem fora do que estamos acostumados, mas pudemos aprender algumas coisas bem legais nesses meses, não é?


Na semana passada refletimos sobre a relação entre as ideias de Filosofia espontânea e Filosofia sistemática. Agora para encerrarmos com chave de ouro o bimestre, vamos refletir sobre a utilidade da Filosofia


Leia o texto abaixo e faça as atividades solicitadas em seguida. 


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Filósofos e “filósofos”


Se “todos os homens são ‘filósofos’”, como quer Gramsci, qual é, então, a diferença entre o filosofar de uma pessoa comum e o de um filósofo profissional ou especialista? O próprio autor esclarece:

“O filósofo profissional ou técnico não só ‘pensa’ com maior rigor lógico, com maior coerência, com maior espírito de sistema do que os outros homens, mas conhece toda a história do pensamento, isto é, sabe as razões do desenvolvimento que o pensamento sofreu até ele e está em condições de retomar os problemas a partir do ponto em que eles se encontram após terem sofrido a mais alta tentativa de solução etc. Ele tem, no campo do pensamento, a mesma função que nos diversos campos científicos têm os especialistas”.


Trocando em miúdos, podemos dizer que o filósofo especialista: pensa, reflete, raciocina observando mais cuidadosamente as regras da lógica e os procedimentos metodológicos que utiliza; conhece a história do pensamento, isto é, a história da Filosofia; é capaz de analisar os problemas de seu tempo à luz da contribuição dos filósofos do passado que já se debruçaram sobre eles.

Mas se existe essa diferença entre o filósofo especialista e o não especialista, por que então afirmar que “todos os homens são ‘filósofos’”? Justamente para combater e destruir aquele preconceito de que a Filosofia é uma atividade muito difícil e restrita a  uma minoria.

É importante perceber que a propagação desse preconceito cumpre uma função política conservadora, na medida em que afasta a Filosofia do contato com as massas, com o povo, com as pessoas mais simples. Dessa forma, impedidas de se apropriar dos conceitos e das teorias elaboradas pelos filósofos, as pessoas ficam desprovidas dessas ferramentas intelectuais que lhes permitiriam superar mais facilmente o senso comum e adquirir um conhecimento mais crítico e elaborado da realidade em que vivem.

Além disso, cabe afirmar que todos os homens são “filósofos” para deixar claro que todas as pessoas são potencialmente capazes de avançar de um “filosofar” espontâneo, assistemático, restrito ao bom senso, para um filosofar mais elaborado e rigoroso, semelhante ao praticado pelos filósofos especialistas.

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Estabelecida a diferença entre o filósofo especialista e o filósofo que todos somos, trata-se, agora, de aprofundar a compreensão do conceito de Filosofia. Muitos dizem que ela é uma reflexão. Mas que tipo de reflexão? No texto abaixo veremos a concepção do filósofo Dermeval Saviani que propõe  apresentar a definição de Filosofia como uma “reflexão (radical, rigorosa e de conjunto) sobre os problemas que a realidade apresenta”. 

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A Filosofia como reflexão 


Vimos que etimologicamente a palavra filosofia significa busca do conhecimento verdadeiro, ou seja, busca da verdade. A forma pela qual a Filosofia realiza essa busca da verdade é por meio da reflexão. Mas o que é refletir?

Como nos lembra o professor Dermeval Saviani: “se toda reflexão é pensamento, nem todo pensamento é reflexão”. O pensamento é um ato corriqueiro, singelo, espontâneo, que realizamos descompromissadamente a todo instante, até mesmo sem perceber. A reflexão, por sua vez, é uma atitude mais consciente, mais comprometida, que implica pensar mais profundamente sobre um determinado assunto, repensá-lo, problematizá-lo, submetendo-o à dúvida, à crítica, à análise, buscando seu verdadeiro significado.

Assim, o pensamento pode ser reflexivo ou não. Acontece que nem toda reflexão é filosófica. Segundo Saviani, para isso ela precisa satisfazer, ao mesmo tempo, a pelo menos três exigências:

  •  ser radical, isto é, analisar em profundidade o problema em questão, buscando chegar às suas raízes, aos seus fundamentos;

  •  ser rigorosa, ou seja, proceder com coerência, de forma sistemática, segundo um método bem definido para propiciar conclusões válidas e bem fundamentadas;

  •  e ser de conjunto, isto é, tomar o objeto em questão não de forma isolada e abstrata, mas em uma perspectiva de totalidade, ou seja, levando em consideração os diversos fatores que, em um dado contexto, o determinam e condicionam.

Além disso, vale lembrar que filosofar implica questionar o senso comum. Para tanto, é preciso utilizar certos conceitos e teorias necessários para a compreensão mais aprofundada dos temas e problemas sobre os quais se vai refletir. Ora, como estes conceitos e teorias estão contidos nas obras dos filósofos, é importante  estudar tais obras, não para memorizar mecanicamente, mas para compreendê-las e, com base nesta compreensão, questionar o senso comum e transformar nossas representações primeiras sobre diferentes temas da vida cotidiana, da vida em sociedade.

Mas, ao entrarmos em contato com a obra de um filósofo, não apreendemos apenas os conceitos por ele desenvolvidos. Apreendemos também o seu jeito de pensar, de raciocinar, de argumentar, de organizar as ideias, enfim, o seu “estilo reflexivo”, o que também nos ajuda a melhorar cada vez mais nosso próprio jeito de pensar. É dessa forma, estudando o pensamento dos filósofos e nos exercitando mais e mais na prática da reflexão, que nos tornamos cada vez mais filósofos.

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A partir destas leituras pudemos compreender que a reflexão filosófica não pode ser praticada de forma espontânea, descomprometida. Antes, ela requer dedicação, esforço e, muitas vezes, trabalho árduo, cuja recompensa será um conhecimento mais elaborado e crítico do objeto dessa reflexão. Para finalizar, vamos retomar a questão da utilidade versus inutilidade da Filosofia com a leitura do texto abaixo:


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Utilidade da Filosofia?


Para que serve a Filosofia? Qual é sua utilidade? Para responder a essas perguntas precisamos antes fazer algumas outras: O que entendemos por útil? Quem nos dá os critérios com base nos quais consideramos algumas coisas úteis e outras inúteis? Conhecemos de fato esses critérios? Paramos para pensar sobre eles? Tomamos conscientemente a decisão de aceitá-los? Por que perguntamos sobre a utilidade de certas coisas e não de outras? Haveria pessoas ou grupos interessados em mostrar algumas coisas como úteis e outras como inúteis? Quando dizemos que, para nós, uma determinada coisa não serve para nada, estamos expressando um conhecimento efetivo sobre essa coisa ou, na verdade, apenas reproduzimos a “opinião” geral ou uma visão hegemônica a respeito dela? Estamos agindo com autonomia e liberdade?

Poderíamos formular ainda inúmeros outros questionamentos derivados daquele inicialmente apresentado. E, ao fazê-lo, já estaríamos nos situando dentro da Filosofia, isto é, já estaríamos, em um certo sentido, filosofando. Afinal, filosofar é, também, não aceitar como verdadeira qualquer ideia sem antes submetê-la à dúvida, à investigação, à reflexão crítica e rigorosa. Ora, isso significa que, para demonstrar com consistência a utilidade ou inutilidade da Filosofia, ou de qualquer outra coisa, já teríamos que filosofar.

[...] é preferível ‘pensar’ sem disto ter consciência crítica, de uma maneira desagregada e ocasional, isto é, ‘particular’ de uma concepção do mundo ‘imposta’ mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por um dos vários grupos sociais nos quais todos estão automaticamente envolvidos desde sua entrada no mundo consciente [...] ou é preferível elaborar a própria concepção do mundo de uma maneira crítica e consciente e, portanto, em ligação com este trabalho próprio do cérebro, escolher a própria esfera de atividade, participar ativamente na produção da história do mundo, ser o guia de si mesmo e não aceitar do exterior, passiva e servilmente, a marca da própria personalidade?

GRAMSCI, A. Caderno 11 (1932-1933). Introdução ao estudo da Filosofia. In: Cadernos do cárcere. Vol. 1. Edição Carlos Nelson Coutinho com Marco Aurélio Nogueira e Luiz Sérgio Henriques. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. p. 93-94.

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A T I V I D A D E S ___________________________________


1. Para que serve, afinal, a Filosofia?

2. É importante estudar Filosofia na escola? A quem serve a ideia da retirada da Filosofia do Ensino Médio?

3. Explique por que a ideia de que a Filosofia é uma atividade muito difícil e acessível apenas a poucos privilegiados é politicamente conservadora.

4. A partir do seu ponto de vista, você entende que as aulas de Filosofia têm, no decorrer desses anos, fornecido ferramentas intelectuais para conhecer melhor a realidade? De que forma?

5. Para bem encerrarmos o bimestre na disciplina de Filosofia, escreva uma autoavaliação sobre o que você aprendeu neste bimestre e as reflexões que tivemos nesta aula te ajudaram. Se você se sentir confortável, dê uma nota para si mesmo pelo seu desempenho neste primeiro bimestre. 


É muito importante que você faça as atividades, responda às questões acima em folha separada, devidamente identificada, e as entregue na escola no dia 22 de maio no horário escolhido para a sua série. Vamos concluir esse bimestre com sucesso - dentro do possível! :)


E já sabem, quaisquer dúvidas podem me chamar no Whatsapp!


Bons estudos!


2ºA, 2ºB, 2ºC e 2ºD - FILOSOFIA - Professora Jussara

ATIVIDADES DE 18 A 22 DE MAIO


Olá estudantes! Tudo bem com vocês?


Estamos nos aproximando do final do nosso primeiro bimestre de uma maneira bem fora do que estamos acostumados, mas pudemos aprender algumas coisas bem legais nesses meses, não é?


Na semana passada refletimos sobre a relação entre as ideias de Ética e Solidariedade. Agora para encerrarmos com chave de ouro o bimestre, vamos refletir sobre as a Ética e a Dignidade Humana


Leia o texto abaixo e faça as atividades solicitadas em seguida. 


A Ética e a Dignidade Humana


Aprendemos já o que é Ética, mas sabemos qual a sua importância para o nosso convívio social? Para pensarmos melhor sobre isso, vamos pensar sobre o caso descrito abaixo, ocorrido na cidade do Rio de Janeiro. 


Cinco jovens de classe alta agridem doméstica


Uma empregada doméstica, de 32 anos, foi espancada e roubada, na manhã do dia 24 de junho de 2007, quando saía do seu trabalho. Os espancadores eram cinco jovens ricos, todos estudantes. Eles não apresentavam sinais de ter ingerido álcool ou outra substância química. A mulher relatou à polícia que, por volta das 6h30, estava em um ponto de ônibus, perto do apartamento onde trabalha e mora, para ir a uma consulta médica. De repente, saindo de um automóvel, os cinco jovens começaram a xingá-la e chutá-la na cabeça e na barriga. Depois, roubaram sua bolsa, com seus documentos, 47 reais e um celular, que nem tinha sido completamente pago. Após a agressão, ela voltou ao prédio em busca de ajuda.

Um taxista, que estava próximo ao local do crime, anotou a placa do carro e notificou a polícia, que prendeu os jovens. Os agressores confessaram o crime, mas nada falaram sobre os motivos que os levaram a cometer o ato de crueldade.


Muitos, ao lerem esta notícia, consideram o comportamento dos jovens como algo “errado”. Porém, jogar xadrez com as regras do jogo de damas é errado e espancar uma mulher, ou quem quer que seja, é errado. Embora sejam duas situações completamente diferentes, podemos usar a mesma palavra para as duas coisas. Então, afinal, o que é o errado? Quantas vezes você ouviu que era errado o que fazia? Quantas vezes lhes disseram que aquilo era errado? Ao distinguirmos entre o que é o certo e o que é errado, entre o que é bom e o que é mau, permitido ou proibido, e refletirmos sobre isso, entramos no campo da moral e da ética. No âmbito da ética, trata-se de refletir sobre as normas e valores, adotados historicamente, que visam estabelecer modos de agir. Como se deve agir diante dos outros nas mais diferentes situações? A decisão de como agir, embasando-se nos valores e normas estabelecidos por uma sociedade, nos remete à noção de dever – uma noção fundamental para a reflexão ética.

O ser humano vive em sociedade, convive com outros seres humanos e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. O certo e o errado, o que é bom e o que é mau, permitido ou proibido, pode variar em lugares e épocas distintas. Sabemos que as respostas sobre como agir e sobre o dever não são únicas, não apenas pela pluralidade de culturas e sociedades, mas também pela pluralidade de situações. Dessa forma, é importante reconhecer que diferentes lugares, culturas e épocas apresentam distintas normas e valores e, portanto, diferentes formas de agir mediante situações. No dia a dia, guiamos nossas ações de acordo com valores que recebemos por meio de relações familiares, de religiosidade, e por meio de relações afetivas, oriundas dos nossos círculos de amizade. Refletir sobre esses valores, sobre as normas e princípios que norteiam a nossa vida e as nossas ações é um exercício ético, nem sempre fácil de realizar.

Eventos de diferentes proporções podem tornar referenciais valores que outrora eram pouco destacados. Os eventos de violação da vida humana, em especial aqueles deflagrados pelo nazismo, assim como as transformações tecnológicas, econômicas e sociais ocorridas no decorrer dos séculos XIX e XX, tornaram o respeito à dignidade humana um valor a ser lembrado constantemente na nossa sociedade, um fundamento presente em importantes documentos nacionais e internacionais e motivo de Cartas de direitos e de conferências que se realizam periodicamente. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seus artigos, procura assegurar o reconhecimento à dignidade humana em vários sentidos. O Brasil, na sua Constituição, referenda esse princípio fundamental, especialmente nos artigos 1º, 3º e 5º, dos quais destacamos:


Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

[...]

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

[...]

V - o pluralismo político.

[...]

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;

[...]

IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

[...]

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;

III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;


CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 17 jul. 2013.



A partir desse fundamento, podemos notar no corpo da lei o reconhecimento de que todos os seres humanos devem ter a sua dignidade reconhecida. Esse reconhecimento nos leva a pensar sobre o princípio que deve guiar as nossas ações: a ideia segundo a qual todo ser humano, sem distinção, merece tratamento digno corresponde a um valor moral. Segundo esse valor, a pergunta de como agir perante os outros recebe resposta precisa: agir sempre de modo a respeitar a dignidade, sem humilhações e discriminações. Refletir sobre o alcance da dignidade humana no momento em que estamos diante do outro, refletir sobre como essa noção de dignidade humana pode ser construída, reconhecida e realizada cotidianamente nas mais diferentes situações e como aperfeiçoar os seus contornos, faz parte da reflexão ética.


A T I V I D A D E S ___________________________________


1.Sobre o texto Cinco jovens de classe alta agridem doméstica, responda:

a. Como avaliar, segundo a ética, a agressão cometida pelos cinco jovens?

b. Como considerar a atitude do taxista no episódio ao alertar a polícia? Você seguiria seu exemplo ou iria embora da cena do crime?

2. No atual contexto em que vivemos, de um mundo em situação de pandemia, é possível observar atitudes que violam a dignidade humana? Se sim, consegue citar exemplos?

3. Por que  a reflexão ética se faz importante para preservarmos a dignidade humana?

4. Para bem encerrarmos o bimestre na disciplina de Filosofia, escreva uma autoavaliação sobre o que você aprendeu neste bimestre e as reflexões que tivemos nesta aula te ajudaram. Se você se sentir confortável, dê uma nota para si mesmo pelo seu desempenho neste primeiro bimestre. 


É muito importante que você faça as atividades, responda às questões acima em folha separada, devidamente identificada, e as entregue na escola no dia 22 de maio no horário escolhido para a sua série. Vamos concluir esse bimestre com sucesso - dentro do possível! :)


E já sabem, quaisquer dúvidas podem me chamar no Whatsapp!


Bons estudos!


1ºA, 1ºB, 1ºC e 1ºD - FILOSOFIA - Professora Jussara

ATIVIDADES DE 18 A 22 DE MAIO


Olá estudantes! Tudo bem com vocês?


Estamos nos aproximando do final do nosso primeiro bimestre de uma maneira bem fora do que estamos acostumados, mas pudemos aprender algumas coisas bem legais nesses meses, não é?


Na semana passada refletimos sobre os períodos históricos que podemos dividir a Filosofia e quais os principais temas trabalhados em cada período. Agora para encerrarmos com chave de ouro o bimestre, vamos refletir sobre as ÁREAS DA FILOSOFIA


Leia o texto abaixo e faça as atividades solicitadas em seguida. 


As áreas de investigação da Filosofia


Depois do contato inicial que você teve com a produção filosófica ao longo da História, é interessante compreender quais são as áreas de investigação da Filosofia. Aqui elas são apresentadas em agrupamentos temáticos, campos de investigação que estão associados por possuírem os mesmos objetos de pesquisa e análise. Esses campos são importantes para que investigadores, pesquisadores e estudantes possam se localizar e associar modelos de pensamento, livros que se relacionam e, dessa forma, conhecer o que é ou já foi produzido sobre um mesmo tema, com o objetivo de ampliar seu repertório.

Você já reparou que as áreas de conhecimento são divididas segundo a ênfase dada ao objeto que elas estudam? Por exemplo, a Biologia estuda os seres vivos; a Linguística, as regras de funcionamento da língua; a Matemática, os cálculos, as medições do espaço, os problemas lógicos e as diversas operações numéricas. E quanto à Filosofia, o que ela estuda? Será que ela ajuda a entender o que se passa no mundo, por exemplo? Pensando nessas perguntas, observe a tirinha a seguir.



Na tirinha, a personagem Lucy é desafiada por Charlie Brown a pensar em uma afirmação que ela mesma havia acabado de fazer e sobre a qual, aparentemente, nem parou para refletir.

Charlie Brown faz uso de um instrumento muito importante para a Filosofia: o questionamento, a problematização. Questionar é fundamental, pois permite o exercício da imaginação, do raciocínio e da busca de coerência de ideias. Dentre outros tantos instrumentos do filosofar, a problematização também permitiu que os diversos filósofos, ao longo de muitos séculos de História, produzissem suas filosofias, que podem ser conhecidas ainda hoje. É muito tempo, não é mesmo?

Foram muitos os temas discutidos pela Filosofia ao longo de todo esse tempo. Alguns desapareceram, enquanto outros foram sistematizados e aprimorados. Mas, afinal de contas, quais seriam as áreas de investigação da Filosofia?

A seguir, você observará algumas dessas áreas.


• Estética ou Filosofia da Arte


Estuda o que é Arte, o que é o belo, o gosto artístico, as ideias que levam à produção artística e à criação, além das relações entre a Arte e outras esferas da vida humana, como a sociedade, a política, a ética, ao longo dos tempos e em diferentes contextos e culturas.


• Teoria do conhecimento (epistemologia)


A epistemologia é a parte da Filosofia que estuda as diferentes formas de conhecimento. Observa criticamente como o conhecimento é construído, quais são os seus métodos e qual o seu alcance e potencial. Discute as relações da Filosofia com a Ciência, quando analisa, por exemplo, quais devem ser os procedimentos que fundamentam uma experiência científica.


• Lógica


Volta-se para os raciocínios considerados corretos e verdadeiros, debruçando-se sobre argumentos e sobre o bom encadeamento de ideias; analisa as formas e regras do pensamento: como um pensamento pode ser demonstrado e por que ele pode ser falso ou verdadeiro.


• Metafísica


Avalia tudo aquilo que não possui realidade física ou materialidade concreta, ocupando-se do princípio e dos fundamentos de todos os seres. A palavra metafísica vem do grego: meta quer dizer “além”, e phýsis significa “natureza”. Os conceitos de alma e de Deus, por exemplo, dentre outros muitos assuntos, são objeto de discussão da Metafísica.


• Ética


Reflete acerca dos valores, da ação e da atitude dos homens, bem como é responsável pela investigação das bases da justiça e da melhor adequação do indivíduo ao seu meio social. Conceitos como vontade, responsabilidade, liberdade, dever e obrigação são exemplos de temas discutidos pela Ética.


• Filosofia política


Ocupa-se dos princípios e fundamentos de diferentes sistemas de governo. Reflete acerca de conceitos como Estado, poder, autoridade, direito, lei, justiça, regimes políticos, ideias de conservadorismo, revolução, dominação, ideologia e autoritarismo, entre outros.



A T I V I D A D E S _______________________________________


1. Agora que você foi apresentado aos campos de investigação da Filosofia, é importante retomar o caminho percorrido até aqui. Você começou esta Unidade pensando sobre o que é Filosofia, passou pela atitude e pela reflexão filosófica e pôde verificar que elas conseguem suscitar uma postura de investigação da realidade, na medida em que buscam compreendê-la. Por fim, você pôde observar alguns temas discutidos pela Filosofia ao longo da História e conhecer algumas de suas áreas de estudo. Pense sobre a trajetória percorrida até aqui e, tentando fazer um uso consciente de sua atitude filosófica, reflita se seu aprendizado está de acordo com as expectativas que você possuía antes de iniciar seus estudos.

2. Com base na leitura do texto As áreas de investigação da Filosofia, escreva com suas palavras qual é a área de investigação da Filosofia que mais despertou o seu interesse. Justifique.

3. Para bem encerrarmos o bimestre na disciplina de Filosofia, escreva uma autoavaliação sobre o que você aprendeu com nossos estudos e o quanto as reflexões que tivemos nesta aula te ajudaram. Se você se sentir confortável, dê uma nota para si mesmo pelo seu desempenho neste primeiro bimestre. Esse exercício é importante para olharmos para trás e nos darmos conta do quanto caminhamos e do quanto ainda precisamos caminhar para alcançar nossos objetivos. (Capriche na análise e traga detalhes… isso ajudará na sua compreensão de seu processo e na nota!)


É muito importante que você faça as atividades, responda às questões acima em folha separada, devidamente identificada, e as entregue na escola no dia 22 de maio no horário escolhido para a sua série. Vamos concluir esse bimestre com sucesso - dentro do possível! :)


E já sabem, quaisquer dúvidas podem me chamar no Whatsapp!


Bons estudos!


segunda-feira, 18 de maio de 2020

3ºEJA - FILOSOFIA - Professora Jussara

 ATIVIDADE DE 18 A 22 DE MAIO


Olá estudantes! Tudo bem com vocês?


Estamos nos aproximando do final do nosso primeiro bimestre de uma maneira bem fora do que estamos acostumados, mas pudemos aprender algumas coisas bem legais nesses meses, não é?


Para encerrarmos com chave de ouro, vamos refletir mais profundamente sobre a teoria da banalidade do mal para Hannah Arendt. Leia o texto abaixo e faça a atividade solicitada em seguida. É muito importante que você faça as atividades e as entregue na escola no dia 22 de maio no horário escolhido para a sua série. Vamos concluir esse bimestre com sucesso - dentro do possível! :)


Hannah Arendt e a Banalidade do Mal

 

O que você entende por “banal” e “mal”? Defina cada um desses termos e dê, pelo menos, um exemplo que explique cada um deles. Em sua opinião, em que situação uma atitude má pode ser banal? E em que situação uma atitude má não seria banal? Reflita e destaque, pelo menos, um exemplo.

A discussão empreendida por Hannah Arendt gira em torno da ideia de que a banalidade do mal é consequência de uma ação impensada, alienada e conivente, que propaga um tipo de normalidade, de hábito insensível. Esse mal faz ignorar as vítimas e pode se instalar tanto em regimes totalitários quanto democráticos.

A pensadora acompanhou o julgamento do oficial nazista Adolf Eichmann e ficou impressionada com a ausência de convicções por parte do acusado, um homem que havia sido responsável pela deportação de incontáveis vítimas para os campos de concentração e que, apesar disso, considerava-se inocente, argumentando que apenas havia cumprido ordens. Hannah Arendt desenvolveu então sua hipótese explicativa: a banalidade do mal.

Em seu livro Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal (1963), a filósofa desenvolveu sua teoria na tentativa de compreender a maldade praticada pelos homens. Lembre-se de que “banal” significa trivial, comum, desimportante.

Pode-se dizer, por exemplo, que um filme é banal porque é bobo, não acrescenta nada; que não se deve brigar porque o motivo é banal, ou seja, o motivo não justifica uma briga; ou ainda que não se deve perder tempo com banalidades, pois elas são insignificantes. Como então um mal pode ser banal?

Em 1997, no Brasil, cinco jovens assassinaram o índio Galdino Jesus dos Santos. Você se lembra? Galdino estava em Brasília para discutir a situação da terra de seu povo no sul da Bahia. Ao voltar para onde estava hospedado, ele se perdeu e dormiu em um ponto de ônibus. Às 5 horas, os jovens atearam fogo nele, que teve 95% do corpo queimado e morreu em seguida. No julgamento, os assassinos se defenderam afirmando que fora uma brincadeira.

Hannah Arendt encontrou-se diante de um enigma assim quando escreveu a tese da banalidade do mal, questionando como alguém que praticou um mal não se considera culpado.

Para que você possa compreender melhor a tese da banalidade do mal, é preciso entender o contexto em que ela foi formulada. Em 1961, Hannah Arendt embarcou de Nova Iorque para Jerusalém, para acompanhar o que seria o maior julgamento de um carrasco nazista depois do Tribunal de Nuremberg. O réu era Adolf Eichmann, encontrado na Argentina pela polícia secreta de Israel (Mossad). Em maio de 1960, ele fora sequestrado pelos oficiais dessa unidade especial e levado para Jerusalém. Só então o governo de Israel anunciou que o havia descoberto no país latino-americano, escondido sob a falsa identidade de Ricardo Klemente, um funcionário da Mercedes-Benz.

É ainda necessário explicar que, durante o regime nazista, Eichmann coordenava as atividades práticas de implementação da “solução final”, termo que se refere ao projeto nazista de eliminar toda a população judaica dos territórios conquistados pela Alemanha. De seu escritório em Berlim, Eichmann organizava as rotas de trens que seguiam para os campos de extermínio, identificando os deportados. Era ele quem despachava homens e mulheres de origem judaica, homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová, entre outros, considerados inferiores ou prejudiciais para os alemães “puros”, para os campos de concentração e de extermínio, tais como Auschwitz, Dachau e Treblinka.

A filósofa, que foi a Jerusalém como enviada da revista New Yorker e acompanhou diariamente as sessões do julgamento, esperava encontrar um ser monstruoso, alguém malévolo, com sede de sangue, sem nenhum sentimento de bem-querer pelo ser humano, ou seja, um assassino frio, disposto a matar qualquer um que se interpusesse entre ele e seus objetivos. No entanto, espantou-se ao deparar com um perfil burocrata, um marido dócil, um pai dedicado, alguém que se julgava um bom cidadão, cumpridor de seus deveres.

Arendt, cujo nome significa enfrentar, dedicou-se sem ressalvas a enfrentar esse dilema. Como um indivíduo que participou ativamente de um sistema que aniquilou milhares de vítimas não se sente responsável pelo que fez? Em seu texto, ela transcreve a declaração de inocência do acusado:

Com o assassinato dos judeus não tive nada a ver. Nunca matei um judeu, nem um não-judeu – nunca matei nenhum ser humano. Nunca dei uma ordem para matar fosse um judeu fosse um não-judeu; simplesmente não fiz isso.

Adolf Eichmann, 1961.

Apud ARENDT, Hannah. Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 33.

Foi na tentativa de responder a essa questão que a pensadora desenvolveu a tese da banalidade do mal, que explica como um mal praticado por uma personalidade condicionada, sem convicção, faz desse indivíduo, por isso mesmo, alguém capaz das maiores atrocidades sem se responsabilizar por elas, pois, para a pessoa, trata-se apenas do cumprimento de ordens.

Essa barbaridade torna-se banal porque não tem uma motivação política, ética, ideológica. Eichmann decidia e enviava as pessoas em um trem para campos de extermínio como se isso fosse algo comum, ordinário e, por isso, banal. É importante dizer que a ausência de motivação não o isenta e não o torna inocente; a complexidade é justamente entender que sujeito era esse, que não era um inimigo patológico dos judeus, nem um sádico mórbido ou um monstro depravado, mas terrível, horrivelmente normal. Arendt caracterizou a personalidade de Eichmann como medíocre, um sujeito que cumpria com zelo e eficiência as ordens que recebia, sem questioná-las, considerando desonesto não executar o trabalho que lhe fora dado. A pensadora afirma que, ao cumprir ordens, sentado à sua mesa de escritório, Eichmann acreditava que permanecia “de mãos limpas”. Afinal, era como se, diretamente, ele não fizesse mal a ninguém; ao contrário, ele estaria honrando o seu trabalho, sendo apenas um cumpridor dos seus deveres.

Era um funcionário extraordinário, mas um homem ordinário, incapaz de pensar por si próprio, de separar o bem do mal e que, pelo seu comprometimento profissional, se considerava inocente. Conforme observou Arendt:

[...] era um homem que não parava para refletir. Ele não tinha perplexidades e nem perguntas, apenas atuava, apenas obedecia. Seu desejo de agir corretamente, de ser um funcionário eficiente, de ser aceito e reconhecido dentro da hierarquia, o tornou um burocrata insensível [...].

SOUKI, Nádia. Hannah Arendt e a banalidade do mal. Extensão.Cadernos da Pró-reitoria de Extensão da PUC Minas, v. 8, n. 26, p. 53, ago, 1998.

Eichmann foi considerado culpado e sentenciado à morte por enforcamento, em Israel.

As análises de Arendt são fundamentais porque alertam para a propensão dos seres humanos a fazer parte de um grupo, aderindo a ele sem reflexão, assumindo, sem pensar, as ideias, opiniões e deveres que podem levar a males extremos.

É um perigo atual se você levar em conta o número de pessoas que vivem de forma acrítica. Segundo a filósofa, o desumano se esconde em cada ser humano. Continuar a pensar e interrogar a si próprio sobre os atos, as normas é a única condição de não ser tragado por esse mal.

 

 

A T I V I D A D E _________________________________________

 

Responda as questões abaixo em uma folha separada e entregue na escola dia 22 de maio.

 

1. Explique o que você entendeu pelo conceito de banalidade do mal.

2. Você consegue imaginar outro exemplo de banalidade do mal que ocorre hoje em dia? Escreva e explique o porquê a banalidade do mal está expressa aí.


2º EJA - FILOSOFIA - Professora Jussara

ATIVIDADE DE 18 A 22 DE MAIO 


Olá estudantes! Tudo bem com vocês?


Estamos nos aproximando do final do nosso primeiro bimestre de uma maneira bem fora do que estamos acostumados, mas pudemos aprender algumas coisas bem legais nesses meses, não é?


Para encerrarmos com chave de ouro, vamos refletir mais profundamente sobre a teoria contratualista de Thomas Hobbes. Leia o texto abaixo e faça a atividade solicitada em seguida. É muito importante que você faça as atividades e as entregue na escola no dia 22 de maio no horário escolhido para a sua série. Vamos concluir esse bimestre com sucesso - dentro do possível! :)



O homem como predador do homem: Hobbes

 

Neste tema, o objetivo será entender a perspectiva do filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679) e em que medida o homem pode ser adversário do próprio homem. Hobbes é considerado um dos grandes pensadores modernos da política, tema sobre o qual mais escreveu. Sua obra é assinalada por uma grande materialidade, ou seja, ele partia de princípios concretos, físicos e, em seus próprios termos, corporais para analisar as questões acerca do poder. Para o filósofo, antes de se organizarem em sociedade, os homens viveram no chamado “estado de natureza”.

Nesse estado, não há leis para reger as atitudes dos homens, que resolveriam as disputas e conflitos, sobretudo, por meio da violência e da sobreposição do mais forte em relação ao mais fraco; seria o estado de uma guerra de todos contra todos. Pode-se perceber, então, que o filósofo lançou muitas dúvidas a respeito das motivações humanas. Será que seu pessimismo quanto aos homens é válido?

 

O homem é uma fera governável: o estado de natureza para Hobbes

 

Para compreender melhor o pensamento de Hobbes, é necessário primeiro analisar com maior detalhe o que ele chamou de “estado de natureza”. Esse estado caracteriza a situação dos homens antes de instituírem a sociedade, isto é, antes de se organizarem segundo um contrato social, por meio de normas e leis. Como seria o homem antes da introdução de normas e sanções? Essa situação hipotética é utilizada de forma teórica para se referir ao estado do homem antes das estruturas sociais e normativas e, com base nessa premissa, refletir sobre a importância e o processo de formação dessas normas e estruturas sociais.

É importante ressaltar que o estado de natureza, conforme dito, é uma hipótese e que se relaciona com a forma de viver antes que o homem criasse a sociedade. Todavia, o homem fora de determinados modelos de sociedade, por mais que viva em civilização ou mesmo em comunidade, pode ser considerado por alguns em estado de natureza, por não se adequar a certo modelo dominante de sociedade. Deve-se ter atenção para o fato de que esse termo pressupõe a necessidade de um Estado, de um governo centralizado e centralizador, de normas e leis como solução para a barbárie.

Para Hobbes, em estado de natureza, os homens dependeriam da força para sobreviver. Isso quer dizer que o mais forte se impõe sobre os mais fracos, dominando suas posses, suas terras e até sua vida. Nesse estado reina o medo, pois não há garantias de proteção. Mesmo o mais forte pode perder tudo se outro indivíduo, pelo uso da violência, o atacar. Também é importante destacar que as motivações desses homens seriam individuais, ou seja, cada qual agiria segundo seus interesses próprios. Assim, tem-se a descrição do que o filósofo chamou de “guerra de todos contra todos” (em latim, bellum omnium contra omnes) ou “o homem, lobo do homem” (em latim, homo homini lupus).

 

O contrato social

 

Para que a vida se torne segura, a constante ameaça de conflito precisa cessar; daí, apontou Hobbes, a necessidade de um contrato social, ou seja, esse contrato estabeleceria as bases de uma sociedade civil, na qual os indivíduos, por interesses recíprocos, renunciariam à liberdade e à posse, transferindo esses direitos a um terceiro – o soberano, que pode ser uma pessoa (monarquia) ou uma assembleia (aristocracia ou democracia) – que tem o poder de criar e de aplicar leis, garantindo aos homens seus direitos naturais: a vida e a paz, exatamente aqueles elementos desejados que fizeram os homens se tornarem sócios nesse pacto social. Assim, para Hobbes, a sociedade civil resulta de um pacto constituído voluntária e racionalmente, pelo qual os indivíduos abrem mão de sua liberdade e conferem todo o poder a um soberano, que o exerce de modo absolutista. A originalidade de seu pensamento consiste justamente em ter considerado que o indivíduo é favorável ao poder absoluto, ao mesmo tempo que admite o pacto social, isto é, a aceitação de uma liberdade menor. Além disso, para Hobbes, o que move o ser humano não é a busca do bem, mas a satisfação de seus desejos, ainda que à custa de prejuízos para os outros.

É por isso que, para Hobbes, a passagem do estado de natureza à sociedade civil seria racional, ou seja, uma decisão voluntária dos homens para garantir sua autopreservação. Sendo assim, ao transferir a liberdade para o soberano, isso não significa privar-se de liberdade, mas a possibilidade de cumprir as leis estabelecidas a fim de preservar a própria existência:

[...] resignar ao seu direito a todas as coisas, contentando-se, em relação aos outros homens, com a mesma liberdade que aos outros homens permite em relação a si mesmo.

HOBBES, Thomas. Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2008, p. 113.

 

O Estado, Leviatã

 

Leviatã é o nome do principal livro de Hobbes, publicado em 1651. Nele, o filósofo apresentou sua tese de como o homem sairia do estado de natureza para a sociedade civil por meio de um contrato social. Também nessa obra, o pensador refletiu acerca do conceito de “corpos”. Ele apontou dois tipos de corpos diferentes: os naturais e os artificiais. O primeiro tipo é o corpo de cada ser vivo, seu bem máximo, ou seja, seu maior valor, aquilo que precisa ser conservado acima de tudo. Já o segundo tipo é o corpo coletivo, que representa o todo social e é, portanto, um corpo artificial, pois é criado, construído. O governo, seja ele uma assembleia ou um monarca, é esse corpo artificial, chamado por Hobbes de Leviatã. Leviatã é a denominação que remete a uma criatura mitológica de grandes proporções, comum no imaginário de marinheiros, e cujo principal objetivo é garantir a preservação da vida.

O soberano é quem recebeu o poder transmitido pelo povo, que por sua vez, a partir desse momento, é chamado de súdito. Para Hobbes, o poder do soberano é absoluto. Sua soberania ilimitada é legítima e necessária, na medida em que os homens instaurariam novamente a guerra caso lhes restasse algo de sua liberdade natural, por menor que fosse. Assim, pode-se concluir que, para Hobbes, os homens precisariam ser governados, a fim de que houvesse chances de sair de uma situação de “cada um por si” – situação que, embora seja de liberdade, carrega consigo o perigo da violência iminente. É por isso que os homens aceitariam transferir sua liberdade, pois todos a transfeririam igualmente, estando sujeitos ao soberano e à mesma condição de súditos. Hobbes foi um dos poucos filósofos que questionaram a teoria política de Aristóteles. Enquanto Aristóteles afirmava que o homem é um animal político, Hobbes analisava a natureza humana sob uma perspectiva mais desconfiada: “homem, lobo do homem”, que significa que os homens defendem seus interesses colocando-os acima dos interesses dos demais e nutrindo em geral uma profunda indiferença quanto às crenças e convicções do outro. Hobbes era um filósofo cético, ou seja, duvidoso, descrente em relação à bondade e ao altruísmo, considerando a natureza humana racionalmente, sem o emprego da fé ou da esperança. Assim, as regras de convivência e a elaboração de um contrato social coletivo seriam a única forma de garantia para a vida e para a paz; do contrário, a humanidade tenderia a devorar a si mesma, como feras famintas.

 

A T I V I D A D E _________________________________________________

        

Responda as questões abaixo em uma folha separada e entregue na escola dia 22 de maio.

 

         1. Em sua opinião, o que explica que as pessoas tenham atitudes violentas, umas em relação às outras? Por que há pessoas que roubam e que transgridem as leis e as normas sociais?

2. Após reler o texto “O homem é uma fera governável: o estado de natureza para Hobbes”, responda: o que significa a famosa afirmação de Hobbes “O homem é o lobo do homem”?

3. Você concorda com as ideias de Hobbes em relação à natureza humana? Por quê?